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  • O carvão vegetal é produzido a partir da lenha pelo processo de carbonização ou pirólise. Ao contrário do que aconteceu nos países industrializados, na América do Sul, o uso industrial do carvão vegetal continua sendo largamente praticado. O Brasil é o maior produtor mundial desse produto energético. No sector industrial (quase 85% do consumo), o ferro e o aço são os principais consumidores do carvão de lenha, que funciona como redutor e energético ao mesmo tempo. O sector residencial consome cerca de 9% seguido pelo sector comercial com 1,5%, representado por pizarias, padarias e churrascarias. O poder calorífico inferior médio do carvão é de 7.365 kcal/kg. O teor de material volátil varia de 20 a 35%, carbono fixo varia de 65 a 80% e as cinzas (material inorgânico) de 1 a 3%.

    O uso de carvão vegetal como redutor do minério de ferro no Brasil data de 1591 em fundições artesanais para produzir ferramentas de uso agrícola.

    A carbonização de lenha é praticada de forma tradicional em fornos de alvenaria com ciclos de aquecimento e resfriamento que duram até vários dias. Os fornos rectangulares equipados com sistemas de condensação de vapores e recuperadores de alcatrão são os mais avançados em uso actualmente. Os fornos cilíndricos com pequena capacidade de produção, sem mecanização e sem sistemas de recuperação de alcatrão continuam sendo os mais usados nas carvoarias. A temperatura máxima média de carbonização é de 500oC.

    É importante notar que o rendimento em massa do carvão vegetal em relação a lenha seca é de aproximadamente 25% nos fornos de alvenaria. A recuperação do licor pirolenhoso pode chegar a 50% em massa da lenha, sendo o restante gases. O alcatrão pode ser usado como fonte de produtos químicos para a indústria através dos derivados fenólicos provenientes da degradação térmica da lenhite, que podem substituir o fenol de origem fóssil nas suas aplicações em resinas e refractários. Este subproduto da carbonização da lenha poderá trazer significativos benefícios para a agro-indústria da biomassa. As recentes inovações tecnológicas de pirólise rápida de biomassa optimizam a produção de alcatrão, conferindo-lhe a denominação de bio-petróleo ou bio-óleo.

    Não raras vezes a actividade de carbonização de madeira tem sido associada com condições desumanas de trabalho. Esta realidade deve ser modificada e no seu lugar surgir, com o emprego de novas tecnologias, uma indústria limpa e realmente sustentável e renovável, geradora de empregos dignos e de divisas numa região de vocação florestal.

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